A Arte de um Dom Quixote
por paulosacaldassy em fev.23, 2010, na categoria ARTIGOS
Quando eu fui apresentado ao teatro, foi tudo assim, meio despretensioso, a gente foi se chegando aos poucos, meio desconfiados um do outro, mas o tal bichinho foi entrando sorrateiramente pelas minhas veias, e sem que eu percebesse, já estava completamente contaminado.
É difícil explicar essas coisas que acontecem com a gente, quando a gente encontra o teatro, as pessoas não conseguem mensurar o tamanho do estrago que isso faz em nossa vida.
Durante algum tempo, fiquei afastado dessas coisas do teatro, a vida com sua urgência, acabou me abalroando e me jogando para o lado da praticidade de uma vida comum, mas o teatro já estava em mim e não tive como resistir, voltei!
Está certo que nunca fui dado ás interpretações, elas nunca foram o meu forte, talvez a minha timidez fosse maior, com certeza era e é, mas como nem só de interpretações é feita a arte do Teatro, pois há os figurinos, a cenografia, a sonoplastia, e muito mais, eu entreguei-me por inteiro a Dramaturgia!
Alguém pode perguntar: Por quê a dramaturgia? Cada qual deve ter o seu motivo para a sua escolha, o meu, além de gostar de escrever histórias, veio no exato momento em que comecei a freqüentar as aulas de teatro, e olha que isso já vai mais de duas décadas, ver minhas idéias retratadas através da visão de outras pessoas, realmente sempre achei fascinante.
Foi assim que me tornei um errante, pois jamais na minha vida, até conhecer o teatro, achei que algo pudesse movê-la de uma maneira incontrolável. Sei que isso aconteceu e acontece com muitos de vocês que pautam suas vidas pela arte do Teatro e são capazes de deixarem passeios, encontros com familiares, festas, provas, trabalho, muitas vezes sem qualquer remuneração, em troca de alguns aplausos.
Felizes de nós, seres contaminados pelo bichinho do Teatro. Como disse, após algum tempo afastado do mundo do teatro, deixei de reprimir minha vocação e voltei a respirar teatro através da dramaturgia. Meus familiares, não levam muito a sério, mas o que há de fazer?
Hoje já não me importo muito com os comentários dos outros, já me preocupei mais, pois a dramaturgia tem sido tudo pra mim, e nisso estou investindo minha alma, indo em busca de contribuir de alguma forma pelo crescimento do Teatro.
Ah, o teatro! Ele é realmente sedutor, pena que tenha que andar sempre a espreita, pelos becos para contribuir para cultura, nunca consegue atingir as multidões, mas quanto mais o tempo passa, mais vou percebendo que essa é uma arte de loucos imaginários e me sinto tal qual um Dom Quixote guerreando contra moinhos de ventos em busca de salvar minha adorável Dulcinéia.
Convido todos vocês, Dons Quixotes como eu, a perseguirem incansavelmente suas Dulcinéias!
A arte da Espera
por paulosacaldassy em fev.05, 2010, na categoria ARTIGOS
Como diz o ditado: “o apressado come cru e quente”. Mas, como controlar a ansiedade que ronda a vida do artista, principalmente quando essa espera é por uma tão sonhada e aguardada chance? É difícil, não é mesmo? Suportar a espera para ter o reconhecimento de tanto esforço e dedicação, seja com ator, diretor,, dramaturgo, músico, bailarino, e tantos outros artistas, realmente é uma arte.
E, parece que quanto maior a ansiedade, maior parece ser o tempo da espera pela chance ou pelo reconhecimento. Os dias estressantes de ensaios, a pré-produção, a estréia que não chega, a reação do público, tudo vira um turbilhão que sacode a vida do artista de uma tal maneira, que ás vezes fica difícil de controlar.
Quando se é jovem, onde se tem urgência de tudo, parece que não vai chegar nunca a tal chance. São oportunidades que pintam, e que muitas vezes são perdidas pela ansiedade, e a espera que parecia ter chegado a fim, se afasta de novo. E quando já não se é tão jovem assim? A espera é quase uma eternidade.
Como você se sente, depois de investir anos de estudo, esforço, dedicação em busca de um lugar ao sol, e se ver pronto para ter seu trabalho reconhecido após aguardar quase que impacientemente por uma chance, ver assim, sem mais nem menos, cair de pára-quedas, naquela vaga que você tinha certeza que estava pronta para ser sua, uma dessas celebridades instantâneas preocupadas apenas com a fama? Frustrante, não é mesmo?
Então diante desta situação, tentando ser racional, você se põe em frente ao espelho e diz: “Calma! No fim, tudo dá certo, se não deu é porque não chegou ao fim. Uma ova! O que eu faço com a minha espera? Do que me serve tantos anos de dedicação? Não é fácil a arte da espera.
Poderia descrever aqui mil e uma palavras de incentivo, de otimismo, daquelas do tipo auto-ajuda. Mas, sou incapaz, pois essa ansiedade que é causada pela espera da tão sonhada chance e do reconhecimento, também ronda a minha vida, e não é nada fácil ver gente tão capaz quanto nós, fazendo sucesso, enquanto permanecemos aqui tendo que esperar pacientemente pela nossa vez.
É certo que uns têm mais sorte que outros, pois são as pessoas certas, em momentos certos, e nos lugares certos e, portanto, são premiadas com o reconhecimento de seu trabalho sem ter que suportar tanta espera.
Mas, a alma de artista fala mais alto e é ela que funciona como uma espécie de antídoto contra a ansiedade da espera, e nos faz continuar se aplicando, estudan-do, levando a nossa arte até onde os nossos sonhos conseguem alcançar.
Quanto à vocês, eu não sei, mas posso afirmar que tem sido uma arte ter que conviver com essa minha espera.
A aposto no novo
por paulosacaldassy em jan.21, 2010, na categoria ARTIGOS
Todos sabem que quase tudo nessa vida está atrelado ao fato de se ter experiência. Se não tem experiência, as chances são mínimas, para não dizer quase nenhuma. Isso é voz corrente em quase todas as atividades. Até entendo que existam certas atividades onde quanto mais experiência, melhor. Mas, será que quando se fala de arte essa experiência é mesmo fundamental?
Como no futebol, que para mim também é arte, mesmo que muitos brucutus queiram fazer parecer que não, o talento que brota dos pés de tantos garotos recém saídos da adolescência é capaz de encantar à todos e a tal falta de experiência não chega a fazer falta, assim, também acredito que no mundo das artes, seja lá qual for, música, teatro, cinema, o talento é que deve ser a aposta.
Por que será que é tão difícil apostar no novo? São sempre poucas, quase escassas, as chances para que algum nome novo possa mostrar o quanto é capaz. Quantas bandas de garagem chegaram ao estrelato ao serem uma aposta de alguém que enxergou ali, em jovens adolescentes sem a mínima experiência, o brilho do talento? E quantos artistas totalmente desconhecidos do grande público, alcançaram o sucesso, pois mesmo sendo nomes novos, mostraram possuir enormes talentos?
Quando alguém resolve apostar em um nome não conhecido do grande público, mesmo que em muitas das vezes ele não seja assim tão jovem e nem tão novato e lhe dá uma oportunidade, quase sempre acaba sendo surpreendido, pois o retorno é quase líquido e certo, até porque, o talento não se mede pela experiência que se tem, muito menos pelo fato de se ser um mero novato.
Acho que a aposta no novo sempre é salutar, pois acaba revigorando, estimulando e dando uma nova direção para algo que andava estagnado. Assim acontece na música, no futebol, algumas vezes no cinema, volta e meia em alguns setores das artes cênicas e em momentos raros na televisão. Por isso, não importa o quanto se seja novato, ou o quanto se tenha de experiência, o que importa é que apareçam pessoas dispostas a arriscar no talento.
Que o talento seja sempre reconhecido e que o novo seja cada vez mais a aposta.